A doença dela e o tratamento que pode travá-la
Aqui está tudo o que aprendemos nestes dois anos: o que é a síndrome de Cockayne, como é a terapia génica que a pode travar, quem a está a desenvolver e o que falta para que chegue à Carlota. É para quem quiser o detalhe — e o dossier completo pode ser descarregado.
O que nos disseram os médicos
A síndrome de Cockayne é uma doença genética ultrarrara, neurodegenerativa e multissistémica. Falta ao corpo da Carlota uma proteína que repara o ADN das suas células e, sem ela, o dano vai-se acumulando.
Porque acontece
O gene ERCC6 produz a proteína CSB, essencial para reparar o ADN quando as células sofrem danos. Sem essa proteína, o dano acumula-se e o organismo envelhece de forma prematura.
O dano começa antes de se notar. Por isso, o momento em que chega o tratamento determina quanto se pode salvar.
O que aparece com o tempo
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Défices neurológicos
Declínio psicomotor progressivo e atraso cognitivo.
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Ataxia
Perda de coordenação, tremores e alteração grave da marcha.
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Perda de audição
Hipoacusia neurossensorial bilateral progressiva.
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Complicações oculares
Retinopatia progressiva, atrofia ótica e cataratas precoces.
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Alterações musculoesqueléticas
Contraturas persistentes, cifose e alterações articulares.
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Fotossensibilidade
Sensibilidade cutânea extrema à radiação ultravioleta.
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Esperança de vida reduzida
A média nas crianças com Cockayne tipo B é de doze anos.
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Atraso no desenvolvimento
Atraso no crescimento e microcefalia.
É uma doença que avança. Cada mês que passa reduz aquilo que um tratamento poderia vir a salvar.
Não aceitamos que não se possa fazer nada.
E afinal há algo que se pode fazer.
Dados do dossier da Associação Cockayne B Espanha e da Associação Viljem Julijan.
O que é a terapia génica
Um vírus AAV, vazio e inofensivo, leva uma cópia saudável do gene até às células do paciente. A célula lê esse gene e volta a fabricar a proteína que lhe faltava.
Custou-nos a entender. Explicamos-te como gostaríamos que nos tivessem explicado a nós:
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Prepara-se o gene saudável
Coloca-se uma cópia saudável do gene ERCC6 dentro de um vírus AAV vazio e inofensivo.
- 2
É injetado no paciente
Uma única administração introduz no corpo milhões de cápsulas com o gene.
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O vírus entrega o gene
Cada cápsula entra numa célula e deposita o gene saudável no seu interior.
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A célula fabrica a proteína
Com o gene saudável lá dentro, a célula volta a produzir a proteína CSB que lhe faltava.
O vírus serve apenas de transporte: não se multiplica nem se transmite de uma pessoa para outra.
Um detalhe técnico que joga a favor: o gene ERCC6 ocupa quase toda a capacidade que um AAV consegue transportar. Ter conseguido empacotá-lo foi o primeiro grande obstáculo, e já está resolvido.
Não somos os únicos a tentar
Duas equipas desenvolvem esta terapia há anos. Uma família eslovena começou antes de nós, pela sua filha Karolina, e conseguiu financiar a fase pré-clínica de ambos os grupos através da Associação Viljem Julijan.
Universidade de Minnesota
Estados Unidos
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Dra. Christina Pacak
Lidera o Laboratório Pacak na Faculdade de Medicina da Universidade de Minnesota.
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Dr. Peter B. Kang
Neuropediatra, professor e vice-presidente de investigação no Departamento de Neurologia.
Financiamento conseguido
Grupo ABC-RI
Portugal
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Dr. Clévio Nóbrega
Lidera o grupo de Neurociência Molecular e Terapia Génica no Centro de Investigação Biomédica do Algarve.
Financiamento conseguido
Com o apoio de
O difícil já está feito. Falta a parte cara.
Não falamos de descobrir uma terapia. Falamos de conseguir que ela chegue a quem precisa.
O que já temos
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O vetor está construído
O cassete génico está pronto e otimizado. Era o primeiro grande obstáculo.
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Funciona em células
Resgate funcional in vitro conseguido em células de pacientes.
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Funciona em animais
Segurança demonstrada in vivo, com melhoria dos sintomas e da esperança de vida.
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Há dinheiro já investido
Mais de 3,5 M€ investidos por outras famílias e instituições antes de nós.
O que falta
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Fabricar o lote GMP
Produzir o vetor com qualidade farmacêutica para uso em humanos.
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Passar pela FDA e pela EMA
A autorização das agências dos Estados Unidos e da Europa.
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Desenhar o ensaio clínico
Protocolo e hospitais preparados na União Europeia.
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O financiamento do salto
O capital que separa o laboratório da primeira dose.
O percurso até ao tratamento
Estamos em pré-clínica avançada
Fontes
Os dados clínicos desta página provêm do dossier da Associação Cockayne B Espanha e da Associação Viljem Julijan, que financiou a investigação pré-clínica. Se és profissional e queres o detalhe metodológico, escreve-nos e damos-to.
Associação Viljem Julijan